RSS

Author Archives: Writing Out Loud

About Writing Out Loud

Nasci numa pequena aldeia no norte oeste da Roménia, em 1987. Licenciei-me em Ciências da Comunicação, e sou mestranda de Migrações, na FCSH. Quero ser jornalista desde pequena, embora pouco sabia eu o que isso era. Lembro-me vagamente de querer salvar o mundo dos maus, expondo-os, tipo "Os Homens do Presidente". Entretanto vou escrevendo por aqui :)

Será que poderás, alguma vez, tratar-me por tu?

Voltarei a sentir o tempo parar e passar depressa demais ao mesmo tempo, como quando partilhamos o mesmo espaço? Interrogo-me isso agora, enquanto te admiro em silêncio. Agora, quando os nossos olhares cruzam-se por meros segundos e tu sorris, e os teus olhos brilham como o céu num domingo de Verão.

Voltarei a ter a paz de espirito que me traz falar contigo? Ser eu mesmo, sem medo de ter que ser outro, ouvir-te e desejar nunca parares de falar…

Se te perguntares como tive coragem de te escrever isto tudo, e porque agora, saibas que a resposta esta na própria interrogação. Escrevo-te porque depois de agora, pode não haver uma próxima. Agora, porque pode nunca mais ser.

Pergunto-te portanto, enquanto te admiro em silêncio, será que poderás, alguma vez, tratar-me por tu?

 

Advertisements
 
 

Deixei-me ir completamente

Deixei-me ir completamente. Bati no fundo, cheguei ao ponto máximo de desespero, e com os olhos fechados, imaginei um mundo sem mim.

“Quem é?” ouve-se doutro lado. Havia tantas coisas para serem ditas, tantas promessas para serem feitas, mas por alguma razão, não consegui fazer mais do que ficar ali, parada a frente da porta fechada, desejando que ninguém a abrisse.

E de repente assentou-se, bem intrínseco em mim, uma vontade de correr sem destino…

 

Desperately running on the streets of Istanbul

Last night I was there. I was one of them.

     By a wicked idea of my aunt, me and my family seemed to be on holidays in Turkey , in the middle of Istanbul. Morbid curiosity, you might think, but not so.They didn’t even step outside the hotel, as they were in this magic bubble, looking at the collapse like it was on TV. 

Me and my cousin were the ones outside. The only ones who felt it all happening.

     Was around dinner time when we had the idea of looking around. Walking the streets, I was observing the grey atmosphere; grey cemented streets,grey sky and a sad, grey city lying in front of us. I saw a dozen people wondering around without a purpose;they were also sad and grey.

Suddenly I turn around, trying to estimate how far we’ve come, and there it was. Police man appeared , cleaning the streets with tear gas, shooting at people and screaming at them in a language I didnt knew, but in that moment, understood. The streets filled up with yelling people, and everybody seemed to run in one direction : in front of us, an artificially constructed gate; inside, the “safe zone” . We started running with them, frightened by the tear gases coming quickly to us, pushed and dragged by the hundreds of equally scared people. They were trying to make us run faster.

They already knew the dangers of being outside on that time. But then again … there they were too.

     As we stepped on the “safe” side of the gate, a complex of flats raised in front of me, with every door opened to hurry us inside. The police have entered the area, and with them, they brought him; Erdoğan was there. I was shocked and stopped to look him well. He was there, flesh and blood, at a palm from me, discussing strategies, walking the streets on an accelerated tempo, never minding the rest of the people, whom were being beaten with sticks, dragged down by their feet, gassed and kicked to near death. I heard him talking, laud and clear, giving straight instruction. No expression on his face, regardless of what surrounded him.

As I felt the acid taste of the tear gas,I could only think of how calm and impersonal he looked, but yet, so alive there, alongside me, walking the streets of a frightened Istanbul. I gazed him for a few minutes, trying to understand were he comes from, and why is he not doing anything for the people he repeatedly said he loves.

I looked at him well, and wished he could turn around, see me, and then I could speak. I could’ve yelled at him, but no sound left my mouth. I felt numb, looking around, looking at him, and looking around again…

My cousin finally dragged me to a porch where a nice little girl opened the door telling us to come in, speaking to us quickly, in a language we didnt knew, but in that moment understood. And we did. We left them all outside, we left them suffer… I was staring at the window, imagining I was only seeing a movie on TV.

     The next moment, I woke up. I feel pain, I feel anguish, and I ultimately feel ashamed. I am not there anymore, running with them on the grey streets . I am far away, inside a warm,safe house, looking at it all from the window… 

Image

 
 

Tags: , , , , ,

Capitais económicos e culturais irrelevantes

Desde Marx, até Simmel e Bourdieu, a importância do capital estive sempre presente como preocupação fulcral da nossa sociedade. Seja o económico (o único importante na visão marxista), o social ou o cultural (Escola de Chicago e seu legado e seguidores), no que todos concordam é que é a base do capital que os indivíduos interagem em sociedade. Bourdieu vai ainda mais longe, afirmando que os próprios gostos são construídos socialmente, dependendo estritamente do capital dos indivíduos.

A seguinte experiência fez-me duvidar da linearidade desta concepção. Indivíduos com um capital cultural elevado, mesmo com um presumível capital económico razoavelmente alto, demonstram uma total incompetência na interacção com o resto da sociedade.

Lembro-me de olhar para o indivíduo que estava confortavelmente sentado a minha frente, lendo distraidamente um livro (cujo título ou carácter desconheço) no seu Kindle. Pensei, pelo aspecto físico e vestuário, que se tratava de um professor, ou de alguém com uma certa superioridade cultural. Imaginei, automaticamente, uma grande biblioteca pessoal, e muitas histórias contadas aos netos. Esta minha suposição mantém-se, embora a empatia automática que senti, desvaneceu aos poucos.

Ao meu lado, também pacientemente de pé, estava uma senhora de meia-idade com dificuldades em se equilibrar, carregando uma mala cor de laranja volumosa, no ombro esquerdo, o que me levou a pensar imediatamente que seria canhota. Estava provavelmente, e pelo teor da conversa, a voltar do seu trabalho. A mala estava, inconscientemente, a bater nos ombros do indivíduo Kindle, sempre que a estrada não se apresentava lisa.

Observei, em várias alturas, expressões não-verbais de desconforto da parte do passageiro sentado. “Um olhar diz mais do que mil palavras” me veio a cabeça logo. A insistência do acto, como também a intensidade do mesmo, deixou-me numa primeira fase bastante inquieta. Na minha cabeça, estava já a elaborar uma conversa com o indivíduo Kindle, para que este se conformasse com a posição em que estava, ou então que, cordialmente, advertisse a senhora para esta tomar medidas ajustadas. Contudo, mantive-me quieta e calada, por não haver necessidade para tanto.

A senhora da mala cor de laranja desceu escassos minutos depois, na que foi, para mim, a primeira paragem. Tocou-me a mim estar no lugar antes ocupado por ela. Eu também tenho uma mala bastante volumosa. E também eu sou canhota e carrego a mala no ombro esquerdo. Tentei portanto evitar os mesmos olhares, posicionando-me ligeiramente diferente.

Aqui começa a minha reflexão, apenas sendo fortificada por uma terceira participante, que, para a infelicidade dela, estava sentada ao lado do indivíduo, lendo uma revista. Por motivos que desconheço, e sobre os quais não vou fazer suposições, esta pessoa decidiu separar os cortinados da janela ao lado da qual se encontrava, deixando assim entrar o sol, em toda a sua potencia, o que dificultava a leitura coerente do livro em formato digital, pois o monitor ficava inundado numa forte luz. O indivíduo rangeu, mexeu-se desconfortável, e em seguida atirou para cima da pessoa, o mesmo olhar insuportavelmente intenso e amargo. Para a minha ínfima felicidade, a visada mostrou-se superior, ignorando-o completamente.

O espaço público implica convivência, mesmo que seja feita num silêncio cúmplice. Ao estar num lugar público, um indivíduo sujeita-se, conscientemente, a estar no meio de vários indivíduos, com quais comunica ou não. É uma convenção simples, obrigatória e implícita de se estar, por exemplo, num autocarro. O sociólogo Zygmunt Bauman enquadraria esta experiência, provavelmente entre uma coexistência estacionária (exemplo alternativo seria uma sala de espera ou uma paragem de autocarro) e a meta coexistência (da aparência matricial) exemplificada em bares,praias ou locais públicos, sem compromisso futuro sobre as relações ali estabelecidas.
Quando o dito autocarro esta a abarrotar de pessoas, o individuo devia assumir o risco de ser, mesmo que indirectamente, “incomodado”.

Referencia Bibliografica:

Bordieu. P (2011), Espaço Social e Géneses das Classes,in Poder Simbólico.Lisboa,Edições (entre outras)

Simmel. G (2004) , Metrópoles e vida mental, in Fidelidade, gratidão e outros textos. Lisboa , Relógio D´água (entre outras)

Marx. K & Engels (1848), Manifesto do partido comunista, (entre outras)

Bauman. Z (1995), Formas de Coexistência, in Ensaios sobre a Moral Pós-Moderna. Lisboa, Relógio D´água (entre outras)

 
1 Comment

Posted by on May 20, 2013 in That´s What I Am

 

Tags: , , , , , ,

Alien Encounter (to be continued…maybe)

In the last few days many strange things had happend in the little and otherwise calm town,Almada, As a respected investigation journalist that I am, I was immediatly called in, to see what was going on. Of course I knew that somebody had to have some previously made ideas about what we were dealing with, otherwise I wouldnt be bothered. I know by experience that they only need me when serious stuff happend.I am not that cheap,you know..
But lets go back to the real issue, the strange things happening afterwards.
Monday morning, around 09AM, as I was getting my regular cofee in the backcorner of the cofeeshop, I detected an odd-looking hooded (what it seemd to be a) little boy. Why odd,you ask.
Well, first of all, he turned his chair completly to be staring to the plain, pictureless gray wall. He had not moved an inch in the half hour I was there. He didnt seemingly had nothing with him (keys,wallet,cellphone,anything at all) and shamelessly ordered a glass of tap water. Cheap basterd, anyone whould think. I know I did…
As I was thinking about this strange encounter all day, I realised that I didnt remembered any of his features, as skin colour or even his voice ordering the water.Nothing…

 

Tags: , ,